Lembram-se quando nos idos de Março os media ocidentais começaram a anunciar que os russos estavam à beira de esgotar as munições? Num artigo épico, o The Guardian avançava com uma deadline: três dias. Em três dias os russos ficariam sem comida, munições e combustível!
Desde então e periodicamente somos "informados" que em breve os russos deixarão de ter bombas, mísseis, munições, tanques, aviões, metralhadoras, soldados. O objetivo desta PSYOP (na qual participam alegre e acriticamente os órgão de comunicação social) é óbvia: convencer a opinião pública da Europa e dos Estados Unidos que é preciso apenas mais alguns sacrifícios, basta enviarmos mais meia-dúzia de Himars e outras dezenas biliões de euros para a Ucrânia, que a vitória estará ao virar da esquina.
Mas que outra coisa poderiam dizer? Que após 10 meses de guerra, não há um fim à vista? Que esta é uma "guerra de atrito" que pode durar anos? Acaso poderiam dizer a verdade? That would be the day!
E, contudo, à medida que o conflito se arrasta e o Ocidente (em larga escala auto-desindustrializado nas últimas décadas) se vê atolado numa guerra de atrição, para a qual não estava preparado, as notícias começam a emergir aqui e acolá! Talvez para nos "preparar" para novos sacrifícios?
Politico, 5 de setembro
CNBC, 28 de Setembro
Foreign Policy, 16 de Novembro
CNN, 17 de Novembro
New York Times, 29 de Novembro
Estaremos, então, à beira desmilitarização da NATO? Nem tanto...
É certo que certos itens (como obuses de artilharia, munições para himars, javelins, stinguer, obuses de 155 mm) estão a desaparecer rapidamente dos paióis da NATO, mas por outro lado, os "aliados" da Ucrânia têm, sobretudo, enviado o material mais antigo, que ganhava pó nos depósitos militares: vejam-se estes "magníficos" morteiros enviados pela Itália e cujo sistema óptico e de mira datam de 1947!
Seja quem for que primeiro fique desmilitarizado, seja a Rússia ou a Nato, duas coisas são certas: a desmilitarização será feita à custa da contínua destruição e mortandade na Ucrânia e serão os trabalhadores a ser chamados, com os seus impostos e com os seus sacrifícios a rearmar os países da NATO e a Rússia. Porque nem "nós, nem "eles" podemos ficar desarmados, pois não?
Como o Kansas costuma dizer: "A Ucrânia é um esquema"!
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