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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Sobre a soberania da Ucrânia

Zelensky anuncia que estará na próxima conferência do Fórum Económico Mundial, em Davos, para assinar protocolos e contratos com a Blackrock, uma das maiores gestoras de ativos financeiros no mundo, para a reconstrução do pós-guerra com a americana. Esta empresa irá canalizar, organizar e gerir os futuros investimentos na "reconstrução" do país.

O curso há muito que está decidido : no dia em que se calarem as armas, a Ucrânia será posta em hasta pública através dum programa de choque com privatizações e venda de recursos, acordos comerciais e uma dívida impagável.

O processo de transformação da Ucrânia num estado cliente, iniciado com o golpe Maidan em 2014, tem desde já a sua derradeira  conclusão definida: talvez se consigam ver livres dos russos, mas os ucranianos não se vão conseguir livrar das elites capitalistas de Davos. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Estados Unidos ajudam-se à custa da Ucrânia


Joe Biden tinha pedido 37 biliões de dólares para a "Ucrânia", mas o Congresso resolveu acrescentar outros 8 biliões: 45 sempre é um número mais redondo.

O norte-americano The Hill já analisou os ingredientes deste bolo e a receita é um amargo de boca para o povo ucraniano.

Destes 45 biliões, serão logo retirados à cabeça 11,9 biliões para pagar as armas e munições que têm sido enviadas desde o início da invasão russa. Ou seja: o governo americano envia material antigo e, passando a fatura à Ucrânia, paga ao complexo militar industrial para produzir brand new and shining.

Outros 6,8 milhões servirão para financiar a presença americana na Europa, cujas tropas protegem (pausa para rir) a Ucrânia a partir da Polónia, Alemanha ou Roménia.

O auxílio aos refugiados ucranianos que se estabeleçam nos Estados Unidos também está contemplado: serão 2,4 biliões. Generoso? Sem dúvida: a conta depois segue para kiev!

9 biliões terão como destino o treino, o equipamento e o fornecimento de "serviços de inteligência" à Ucrânia. Quem irá treinar, equipar e recolher informações para o exército ucranianos? Pois!

13,37 biliões serão remetidos sob a forma de "auxílio económico" ao governo ucraniano, que doutra forma nem dinheiro teria para pagar salários, pensões ou quaisquer serviços mínimos prestados pelo Estado. Nesta fatia espreitam excelentes oportunidades de negócios não apenas para empresas americanas que operem na Ucrânia, mas também para os políticos de um dos países mais corruptos da Europa.

As oportunidade de negócio não acabam aqui: há 126 milhões para "responder à ameaça nuclear". E também 2,47 biliões (cerca de 5% do total) para a ajuda humanitária.

Tudo isto terá um dia de ser pago pelos ucranianos... se ainda houver Ucrânia! O que coloca a questão: e se a Ucrânia sair tão destruída deste conflito e não conseguir pagar todo este generoso Lend-Lease? Fácil: avança-se com um perdão de dívida a troco da privatização e venda dos bens, recursos e mercados do país, a bem das grandes corporações, e cobra-se a fatura ao contribuinte americano.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

A visita de Zelensky aos Estados Unidos

 


Numa altura em que os Democratas perderam a maioria da Câmara dos Representantes e que as dificuldades se acumulam para os povos dos Estados Unidos e da União Europeia, nada como uma boa encenação de propaganda para calar as vozes dissonantes  no campo republicano e conseguir (sem ondas) a aprovação e a futura aplicação de um novo pacote de "ajuda" a rondar os 44 biliões de dólares.

Já tratámos da natureza da "ajuda" aqui. Uma bateria de Patriots terão um impacto risível no teatro de operações. Mas o "show must go on" e o dinheiro tem de continuar a circular: dos bolsos dos trabalhadores americanos para as offshores do complexo militar-industrial.



terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A verdade sobre a "ajuda" à Ucrânia


O Center for Strategic & International Studies é um daqueles think tanks que dissemina de modo "independente" os pontos de vista  do governo americano. A 18 de Novembro apresentou um estudo sobre a "ajuda" norte-americana enviada à Ucrânia. 

A "ajuda" total dos Estados Unidos, sob a forma dum lend-lease, que um dia terá de ser pago... está estimada até aqui em 68 biliões de dólares, estando na calha o envio de mais 37,7 biliões. Prevê-se que este último montante dure até 30 de Setembro de 2023 mas, de acordo com os atuais gastos e necessidades da guerra, irá chegar apenas até Maio quando (a não ser que a guerra termine) novo pacote de "ajuda" financeira terá de ser prestada.

Mais de metade do dinheiro providenciado  (os tais 68 biliões já remetidos) serve para suprir os gastos militares da guerra, mas não chega a sair dos Estados Unidos: 

a) 17 biliões estão destinados a compensar o Pentágono pelo envio de armas para a Ucrânia, bem como aos países da NATO que enviaram equipamento militar  e que será, no futuro, substituído por novas encomendas ao complexo militar-industrial americano...

b) 10,5 biliões servem para a Ucrânia comprar novas armas, preferencialmente aos Estados Unidos. Estas novas armas podem levar alguns anos a chegar ao teatro de operações, dados terem ainda de ser produzidas.

c) 9,6 biliões servem para financiar operações militares americanas, como deslocar milhares de tropas para a Roménia ou Polónia... de modo a proteger a Ucrânia [pausa para rir].

d) 1,2 biliões servirão para atividades diversas, ainda que marginalmente relacionadas com a Ucrânia.

Há ainda dinheiro destinado ao governo ucraniano para que este possa pagar salários e manter o Estado a funcionar, alguma ajuda humanitária e até dinheiro que será usado pelo próprio governo americano para fins não especificados...

A maior parte desta "ajuda" apenas chegará à Ucrânia a partir de 2023 em diante. 10 dos 68 biliões só serão gastos depois de 2026! Mas o importante é que o dinheiro circule: dos impostos dos contribuintes, para o complexo militar-industrial americano, com a fatura a ter de ser paga, um dia, no futuro, pelos ucranianos... se ainda houver Ucrânia! 

Quanto à "ajuda" não americana , calculava o Instituto Kiel  que esta ascendesse a 41,4 biliões. Entretanto, na semana passada, a União Europeia decidiu que os estados-membros teriam endividar-se para enviar adicionais 18 biliões (sob a forma de empréstimo...) à Ucrânia. 

De toda esta "ajuda", incluindo  a ajuda militar, sabe-se que boa parte é desviada para o mercado negro ou acaba no bolso dum militar ou político corrupto. Mas isso agora não interessa nada: o mais importante é que o dinheiro circule. E enquanto houver guerra o dinheiro há-de circular. E é por isso que "a Ucrânia é um esquema"!

Zelensky volta a pedir dinheiro

Uma semana após a União Europeia ter decidido que os Estados-membros se deverian endividar para destinar 18 biliões para a Ucrânia, Zelensky volta a pedir dinheiro, dado que na campanha "light up ukraine", espera não apenas o simbolismo de se apagarem as luzes no mundo, mas também arrecadar "pelo menos" 10 milhões de dólares. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Novo acto de vassalagem do governo alemão

O governo alemão continua a dar provas da sua vassalagem  aos superiores interesses dos Estados Unidos.

1) Deixou-se arrastar para um conflito com a Rússia, um parceiro económico fundamental

2) Aplicou 9 pacotes de sanções que têm prejudicado a sua economia

3) Tem sido esmifrado pelo "amigo americano" no mercado de energia

4) Assistiu à sabotagem dos gasodutos mais importantes no abastecimento do país por "alguém"

5) A indústria alemã irá ainda enfrentar o protecicionismo e a concorrência desleal  dos americanos devido ao Inflation Reduction Act


Agora, em novo ato de subserviência, o governo alemão irá estoirar 10 biliões de euros na aquisição de 35 caças F35 aos Estados Unidos, ignorando os construtores militares europeus e pondo em xeque o projeto de desenvolver um caça franco-alemão nos próximos anos. 

10 Biliões dum pacote de 100 biliões anunciado há meses. Enquanto a alta de preços afeta milhões de famílias europeias, os grandes fabricantes de armas  (sobretudo americanos) lucram desalmadamente. 

A Ucrânia é um esquema! 

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Uma idea luminosa para ganhar dinheiro!

Os ataques russos à rede energética ucraniana ameaçam um blackout total no país. Estamos na iminência duma crise humanitária e milhões de refugiados poderão somar-se aos ucranianos que, nos primeiros meses da guerra, procuraram asilo no Ocidente. 

Que faz a União Europeia? Vai comprar 30 milhões de lâmpadas LED para oferecer a Zelensky. Presume-se que toque em sorte uma lâmpada a cada ucraniano (isto porque muitos já fugiram) num país sem rede eléctrica, sem meios para proteger a população civil, sem autorização superior e/ou vontade para negociações de paz

Parece uma piada, mas é uma tragédia. Só não se revela ridículo porque a guerra provoca um sofrimento indescritível a milhões, mas alguém teve uma ideia luminosa e vai ganhar muito dinheiro a vender gelo aos esquimós.

A Ucrânia não é um "ideal". A Ucrânia é um esquema. 


Europa doa 18 mil milhões aos Estados Unidos


ERRATA
 

1) a União Europeia não vai "doar" 18 mil milhões. Os Estados-membros da UE vão.

2) a Ucrânia não vai receber 18 mil milhões. O Complexo Militar-Industrial dos Estados Unidos vai.

3) a Ucrânia não vai receber boa parte das armas compradas ao Complexo Militar-Industrial.  O mercado negro vai. 



sábado, 10 de dezembro de 2022

Julian Assange explica a guerra na Ucrânia


Sacámos este vídeo ao Jimmy Dore, stand up comedian e comentador político - vale a pena passar pelo seu canal no youtube!

Mas se têm dúvidas sobre o que diz o Assange, ou se pensam que o que aconteceu no Afeganistão não está agora a suceder com a Ucrânia... pensem outra vez!

... ou pensem nisto: o Secretário de Defesa dos Estados Unidos Loyd Austin, general reformado, saiu diretamente do conselho de administração da Raytheon Technologies (empresa de armamento) para o cargo que agora ocupa. Escusado será dizer que a sua antiga (antiga?) empresa é uma das que mais tem lucrado com a guerra na Ucrânia...

... podem ainda meditar sobre a Pine Island Capital, empresa à qual Austin e Anthony Blinken Secretário de Estado Americano estão afiliados, e que nas véspera da eleições presidenciais de 2020 (que os levou aos atuais cargos) lançou uma operação pública para recolher 300 milhões para formar uma subsidiária na área da defesa, serviços governamentais e negócios da aviação... 

... e como não trazer à liça Hunter Biden, filho do presidente americano e que, sem qualquer tipo de experiência no sector, se tornou durante anos CEO da Burisma - uma empresa de energia ucraniana, propriedade dum oligarca fugido à Justiça

E tudo isto não passam de "pontas soltas"... ainda há dias com o colapso (perdas na casa dos biliões...) da empresa de criptomoedas FTX,  se descobriu que o seu fundador Sam Bankman-Fried era um dos maiores doadores do Partido Democrático e que colaborou com o governo ucraniano na gestão de doações em criptomoedas... 

Se pensam que a guerra na Ucrânia tema alguma coisa que ver com "direitos humanos", "direito internacional", "autodeterminação e soberania" ou "a luta pela democracia"... pensem melhor!

"A guerra é terrível, terrivelmente lucrativa"

 Vladimir Lenin