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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Acordos de Minsk: a farsa


Poroshenko, o antigo presidente da Ucrânia, começou por afirmar que os Acordos de Minsk "nada significaram" a não ser uma oportunidade para "criar umas forças armada poderosas".

Depois Angela Merkel, ex-chancelerina alemã, veio reforçar essa ideia clamando que tudo não passara dum logro para "dar tempo" à Ucrânia.

Finalmente Hollande, que pouca gente ainda se lembra que foi presidente da França, veio confirmar a farsa, explicando que agora "o exército ucraniano é completamente diferente daquele de 2014. Está melhor treinado e equipado. Esta oportunidade ao exército ucraniano foi alcançada graças aos acordos de Minsk".


Assim sendo e até prova em contrário, o "anti-Cristo" e "novo Hitler" Vladimir Putin foi o único estadista que (aparentemente) de boa fé tentou resolver por via diplomática e negocial a guerra na Ucrânia, através dos acordos de Minsk que garantiriam a permanência do Donbass na Ucrânia, embora numa arquitetura federal que permitissem às comunidades russófonas assegurar a sua língua, herança cultura e modo de vida.

Não é que Putin me suscite grande empatia ou confiança, mas não deixa de ser caso para dizer... 

"E esta hein"?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Os acordos de paz foram um logro


Em nova entrevista, desta vez ao Corriere della  da Sera, Angela Merkel confessa novamente (para que não restem dúvidas?) que os acordos de Minsk foram um embuste: 

"Os acordos de Minsk em 2014 representavam a tentativa de dar tempo à Ucrânia. A Ucrânia aproveitou este tempo para se tornar mais forte, como se vê hoje. O país de 2014/15 não é o mesmo de hoje. E duvido que a Nato pudesse ter feito muito para ajudar como o faz hoje".

É risível a conversa sobre "a Ucrânia aproveitou este tempo para se tornar mais forte'. No início de 2022 a Ucrânia continuava a ser um dos países mais pobres (e corruptos) da Europa. Quem "aproveitou o tempo" foi o Ocidente que fingiu patrocinar um acordo de paz para acabar com a guerra civil no Donbass, e depois  passou estes anos todo a financiar, armar e treinar o exército ucraniano - de acordo com o Washington Post, foram pelo menos 10 mil militares  por ano.

"Sabíamos que era um conflito congelado, que o problema não estava resolvido."

Ora se o problema "não estava resolvido" e os acordos de paz eram um logro para "dar tempo" à Ucrânia... de que outra modo poderia o problema então ser resolvido senão pela força das armas, das armas que tão afanosamente o Ocidente andou a providenciar à Ucrânia?

É de facto extraordinário como os lídere da UE e dos Estados Unidos conseguem repetir o mantra da "invasão injustificada" sem se rir...

A única nota positiva é que Merkel garante não estar disponível para assumir um papel nas futuras negociações de paz. Óptimo!  Talvez assim, da próxima vez, o tratado de paz não seja a fingir.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Merkel confessa: o Ocidente passou anos a preparar a Ucrânia para a guerra...


Vamos começar pelo óbvio: a Rússia é um país capitalista, governado por uma clique oligárquica que passou os últimos 30 anos a pilhar a riqueza criada por gerações de trabalhadores soviéticos. Vivemos na era do imperialismo, fase final do capitalismo, e a Rússia, como grande potência, ambiciona manter e expandir as suas "esferas de influência". Não há nada de progressista na invasão da Ucrânia e a guerra, para além de todo o cortejo de horrores, destruição e mortes, é contrária aos interesses dos trabalhadores, sejam eles ucranianos, russos ou de outra nacionalidade qualquer. Por isso nos opomos à invasão Russa.

Dito isto, passemos ao menos "óbvio" na narrativa da propaganda Ocidental: Putin não é o novo "Hitler", esta não é "a guerra de Putin" e a  NATO não é uma aliança militar "defensiva". A propaganda de guerra tem insistentemente martelado o mantra da "agressão injustificada e não provocada". 

Há dias, porém, Angela Merkel deitou esse argumento por terra ao inadvertidamente (?) confessar a verdade:

O acordo de Minsk 2 (patrocinado pela França e pela Alemanha) foi, em discurso direto de Merkel, "uma tentativa de dar tempo à Ucrânia para se tornar mais forte". Em 2015, com o exército ucraniano à beira da derrota militar durante a guerra civil que eclodiu no Donbass, os poderes ocidentais propuseram um roteiro de paz que garantiria o fim da guerra civil e a permanência das regiões separatistas no seio da Ucrânia, embora com um novo modelo federalista de Estado, de modo a garantir às minorias russófonas do país o direito à sua cultura, modo de vida e autonomia.

Mas, pelos vistos, os Estados Unidos e os seus vassalos europeus nunca quiseram uma resolução pacífica do conflito e apenas pretenderam ganhar tempo para a "Ucrânia tornar-se mais forte", até porque Merkel confessou as suas dúvidas sobre a possibilidade da NATO poder proporcionar na altura [2014/15] o volume de "ajuda" que tem prestado em 2022...


Convém relembrar que Porochenko, o ex-presidente ucraniano que assinou os acordos de Minsk já confessara há meses esta mesma versão: os acordos de Minsk (que podiam ter resolvido o conflito da Ucrânia em 2015) foram um logro que permitiram reconstruir e fortalecer o exército ucraniano para que mais tarde este pudesse sufocar o Donbass, retomar a Crimeia pela força das armas, em suma: para fazer a guerra à Rússia!

Resumindo e concluindo: a UE e os Estados Unidos "congelaram" o conflito em 2015, tornaram a Ucrânia um membro de facto (embora não de jure...) da NATO, passaram anos a financiar, a armar e a treinar o exército ucraniano para a guerra. Quando não ignoraram,  provocaram a Rússia e agora hipocritamente choram lágrimas de crocodilo por causa duma guerra que eles desejaram...

As declarações bombásticas de Merkel deveriam ter provocado uma comoção qualquer na Europa. Contudo, à propaganda de guerra não interessa dar destaque à verdade, ou esmiuçar sequer o significado das palavras da antiga chanceler alemã. Na peça dedicada a esta polémica entrevista, a alemã e estatal empresa de comunicação Deutsche Welle... consegue integralmente ignorar o assunto. Patético? Patético!