quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

O picador de carne em Bakhmut

Entre o nevoeiro cerrado da propaganda de guerra, é possível encontrar aqui e acolá alguns relatos mais realistas sobre a condução da guerra no Donbass - onde não se encontram sequer a esmagadora maioria dos correspondentes de guerra... que preferem "corresponder-se" a partir das imediações dum Hotel em Kiev.

Reproduzimos o relato de Maria Senovilla à estação de rádio "onda Madrid:

"O que está sucedendo na batalha de Bakhmut? As notícias que estamos recebendo reportam a morte de  muita gente. Sim, temos de olhar para o Donbass porque Bakhmut é precisamente o ponto mais negro da guerra na Ucrânia. Esta semana, tanto o Instituto para os Estudos da Guerra, que é um prestigioso think tank americano, como outros think tank internacionais, concluíram que até 400 soldados ucranianos estão a ser mortos e ferido diariamente em Bakhmut.

E, para além do número, que é só uma estatística, tive a oportunidade de falar nos últimos dias com diferentes fontes militares, tanto oficiais como combatentes que têm estado lá, e o que contam é de eriçar o pelo. A cidade continua sob controlo ucraniano, mas as tropas russas colocaram a sua artilharia suficientemente próxima para disparar sobre a cidade, mas longe o suficiente para não expor em demasia os seus efetivos. Entretanto, o exército ucraniano, porque tem de defender o terreno, tem muita infantaria, unidades ligeiras, companhias paramilitares, que pouco podem fazer contra bombas. Esta frente de combate tornou-se num verdadeiro picador de carne. Essa é a forma mais cura de o descrever.  

Agora mesmo é uma das mais importantes, se não a mais importante fonte de preocupações para as forças armadas de Zelensky. Os nossos ouvintes estarão a interrogar-se sobre qual a importância de Bakhmut, para que haja o compromisso de defender esta posição à custa de tão alto sacrifício de soldados. Bakhmut não é uma cidade icónica como Severdonetsk era, onde uma das grandes batalhas desta guerra também teve lugar. Bakhmut não é esse tipo de cidade icónica. Contudo, é um centro de comunicações chave para o abastecimento das tropas ucranianas na província de Donetsk, e é também a barreira que contém o avanço das tropas do Kremlin em direção a Sloviansk e Kramatorsk. Se as tropas russas tomassem estas duas cidades, ganhariam praticamente todo o controlo sobre o Donbass, algo que Putin já poderia vender como uma grande vitória. Assim podem imaginar os esforços que o Kremlin coloca na tomada de Bakhmut e o que custa aos ucranianos para defendê-la." 


Nesta peça de 12 de Dezembro é relatado que 400 soldados ucranianos são mortos ou feridos diariamente na batalha de Bakhmut. De lá para cá o número terá ultrapassado os 10 mil. Ainda há quem se recuse a acreditar no número de baixas apontado por Ursula Von Der Lier? De facto, em face a este constante massacre, empalidece o número de baixas russas em Makeyevka sob o ataque de mísseis Himar. Mas também coloca em em evidência o papel manipulador da imprensa que divulga até à exaustão qualquer sucesso ucraniano (por mais esporádico ou inconsequente que seja), mas silencia permanentemente as suas horríveis perdas humanas e materiais...

Entretanto a Batalha de Bahkmut continua, mas o canal HistoryLegends apresenta uma atualização da situação militar.



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