Na entrevista de hoje ao jornal Público, António Costa proclama:"A paz só é possível com a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia".
E se a vitória da Ucrânia levar 10 anos? E se for até ao último ucraniano? E se a guerra for perdida? E se a guerra custar um (ainda) maior empobrecimento generalizado do povo português? Sobre isto Costa nada diz! Aliás! Sobre a Ucrânia, Costa dirá o que a embaixada americana lhe mandar dizer. E enquanto os senhores em Washington D.C. quiserem a guerra infinita, para António Costa guerra infinita será!
O mais insultuoso para a inteligência alheia, contudo, aparece a meio da entrevista e diz o primeiro-ministro português:
"(...) conforme a guerra vai durando e as situações económicas internas se tornam mais difíceis, vão diluindo a relação causal entre a guerra e a realidade que vivem, e, de cada vez que chegam [os portugueses] à caixa do supermercado, pensam que a culpa não é do Putin, mas de António Costa".
Portanto, se a vida se torna mais difícil - "a culpa é do Putin"!
A culpa não é de quem só escolhe incompetentes e corruptos para o seu próprio governo -, "a culpa é do Putin"!
A culpa não é de quem governa em função dos interesses dos grandes grupos económicos e dos interesses geoestratégicos dos Estados Unidos - a "culpa é do Putin"!
A culpa não é de quem escolheu aplicar sanções à Rússia, mesmo à custa da própria economia - a "culpa é do Putin"!
A culpa não é de quem escolhe a guerra, até a uma mirífica "vitória final", sobre negociações de paz, mesmo que isso torne a vida dos portugueses mais difíceis - "a culpa é do Putin"!
Se o Serviço Nacional de Saúde está um caos, se a Educação anda pelas ruas da amargura, se a Justiça não funciona, se os salários e reformas não acompanham a inflação, se o preço da habitação é exorbitante, a culpa não é de António Costa... "A culpa é do Putin"!
Portanto quando chegarmos às próximas eleições, já sabem: na hora do voto, castiguem Vladimir Putin, porque a culpa não é de quem governa Portugal, a culpa é de quem governa a Rússia.

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