quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Guerra da Ucrânia Q&A - perguntas e respostas

 1)      Quando começou esta guerra?

Esta guerra rebentou em 2014. Quem o confirmou foi até recentemente o próprio Secretário-Geral da NATO.

Começou por um golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos da América que, durante anos, investiu biliões numa operação de “mudança de regime” e deu todo o apoio a um movimento suportado nas ruas pela extrema-direita nacionalista. Entre muitos outros indícios e  exemplos, a ingerência norte-americana ficou demonstrada por escutas telefónicas tornadas públicas e nunca desmentidas ou pelo apoio ao vivo e a cores, em plena Praça Maidan, de várias e variadas personalidades: de John McCain a Ana Gomes...

O presidente democraticamente eleito teve de fugir do país, dezenas de deputados eleitos nunca mais puderam retomar o seu lugar no parlamento. Os partidos mais influentes na vida política ucraniana até então – o PC Ucraniano e o Partido das Regiões – foram banidos, até hoje! Uma vez no poder, a primeira medida do novo governo (não eleito) foi a proibição do russo como língua oficial, não obstante ser a língua materna dum terço da população.

 A "caça ao russo" foi prática intimidatória durante semanas e meses. Tristemente emblemático foi o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa provocado por hordas nacionalistas e que vitimou dezenas de pessoas, umas queimadas vivas, outras falecendo em resultado de terem tentado escapar das chamas saltando das janelas.

 Sem surpresa, a repressão do nacionalismo ucraniano provocou uma guerra civil num país multiétnico. Se o regime de Kiev era apoiado pelo Ocidente, os rebeldes do Donbass foram apoiados pela Rússia. Por essa altura já a Crimeia (de enorme valor histórico e estratégico) se tinha separado da Ucrânia através dum referendo organizado pelas autoridades pró-russas e pela ocupação militar, de facto, da península por forças russas.

 No Donbass, a guerra civil custou a vida a cerca de 15 mil pessoas. Em 2015, com a participação da França e da Alemanha foi assinado um acordo de paz, cujo protocolo previa o reconhecimento da autonomia das regiões do Donbass no quadro da Ucrânia e a futura constituição federalista do país. 

Recentemente, ambos os presidentes da Ucrânia (desde então), Poroshenko primeiro e   Zelensky depois, vieram a público dizer que nunca foi sua intenção respeitar e implementar o acordo e que tudo não passou dum estratagema para “ganhar tempo” e permitir o fortalecimento militar da Ucrânia. Os mediadores ocidentais de Minsk 2, Merkel e Hollande disseram o mesmo: ganhar tempo, equipar militarmente a Ucrânia, preparar a guerra seguinte: a guerra que agora vivemos!

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