Não! Muitas outras nações foram militarmente derrotadas,
aceitaram termos de paz desvantajosos, perderam até territórios e não
desapareceram. A França em 1870 ou a Alemanha tanto em 1918 como em 1945 são
disso exemplo. Uma eventual derrota da Ucrânia amputaria dela alguns
territórios, mas não ao seu desaparecimento. E apesar dos horrores e do rasto
de morte e destruição que qualquer guerra provoca, não obstante os crimes de
guerra (que todas as fações combatentes cometem em todas as guerras), não
decorre um genocídio da população ucraniana. A hiperbolização das consequências
duma derrota ucraniana são propaganda de guerra destinadas a manter as opiniões
públicas e as classes trabalhadoras atreladas a uma guerra que visa, não ajudar
a Ucrânia, mas sangrar a Rússia até ao último ucraniano.
Defendemos o direito à autodeterminação do povo da Ucrânia?
Sim! Defendemos o direito à autodeterminação de TODO o povo da Ucrânia: tanto as populações de Kiev e Lviv, como da Crimeia ou do Donbass têm o direito à sua autodeterminação. Infelizmente, uma das consequências da guerra resulta no exacerbar do nacionalismo – seja ucraniano ou russo.
A Ucrânia nasceu como Estado pluriétnico em 1991. Mas uma vitória russa fará desaparecer o “elemento ucraniano” naquelas regiões que forem incorporadas. Contudo, não tenhamos ilusões: uma vitória ucraniana fará desaparecer o “elemento russo” quer no Donbass, quer na Crimeia – as recentes proibições e restrições de música, literatura e cultura russa não podem deixar dúvidas sobre isso. Ganhe quem ganhar, os êxodos populacionais, perseguições étnicas e cancelamentos culturais farão parte dos despojos da guerra.
Para nós marxistas o direito à autodeterminação enquadra-se (e nem sequer se sobrepõe) no âmbito da luta de classes, da luta pela emancipação da classe trabalhadora. Defendemos a unidade dos trabalhadores por cima de quaisquer diferenças de língua, cultura ou nacionalidade.
Não lutamos pela “grande Rússia” ou pela “glória à Ucrânia”, mas pela revolução socialista que expropriará os oligarcas dos dois lados da fronteira e derrubará as cliques que agitam o nacionalismo como um veneno que divide os trabalhadores para os melhor explorar e que os utiliza como carne para canhão das suas ambições nacionalistas e imperiais.
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