sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Q&A parte 2 - A guerra da Ucrânia

 1)      Uma guerra não provocada?

Esse tem sido um dos argumentos da propaganda de guerra: a Rússia cometeu uma invasão não provocada e injustificada. Apesar dos vários intervenientes ucranianos e ocidentais terem já abertamente declarado que sempre procuraram resolver pela via militar o separatismo no Donbass e a secessão da Crimeia, a propaganda continua a martelar sobre este ponto porque é imperioso manter a opinião pública na ilusão de que há um só poder imperialista a disputar a Ucrânia – e não dois…

 A verdade é que o Ocidente passou os últimos anos a financiar, a  armar e a  treinar o exército ucraniano. A reconciliação com o Donbass foi rejeitada e, pelo contrário, foram construídas as fortificações militares mais extensas no planeta. Nas vésperas do início da guerra, metade do exército ucraniano estava concentrado no Donbass… para retomá-lo pela força!  Em Setembro de 2021, pouco anrtes do inicio da invasão, os Estados Unidos e Ucrânia assinavam um acordo de cooperação militar. Por esta altura a Ucrânia já era um membro de facto da NATO, embora ainda não de jure.

O Estado Russo sentia-se crescentemente ameaçado pela modernização e reforço militar da Ucrânia e os seus laços com a NATO.  Não podia perder a face no Donbass, isto é, permitir a supressão da rebelião do Donbass por Kiev e, muito menos, a perda da Crimeia. Se tal acontecesse, Putin e a sua entourage seriam apeados do poder - E a administração americana tinha disto consciência...

Finalmente, para além de razões de prestígio ou valores “estratégicos”, também existiam (e existem!) importantes interesses económicos da burguesia russa na Ucrânia. Enfim, a adesão da Ucrânia à NATO, poderia significar a instalação de bases com mísseis nucleares capazes de atingir Moscovo em menos de 5 minutos – e que o governo de Kiev seguramente aceitaria, dada a sua animosidade contra a Rússia e as disputas territoriais entre ambos.

Como resposta, Moscovo enviou um pedido formal de negociações aos Estados Unidos exigindo por escrito o compromisso 1) da Ucrânia não entrar para a NATO 2) a NATO retirar as suas bases do Leste da Europa, nomeadamente para as fronteiras anteriores a 1997 3) reatar o acordo sobre mísseis de médio alcance  que os Estados Unidos tinham abandonado 4) a implementação dos acordos de Minsk 5) o reconhecimento da Crimeia como parte integrante da Rússia.

Com exceção da questão da Crimeia nenhum dos demais pontos colocava, problemas de princípios ou desafios existenciais quer aos Estados Unidos, quer aos seus aliados europeus. Porém, as propostas russas foram liminarmente rejeitadas: nem sequer foram merecedoras de discussão. A 24 de Fevereiro o governo russo resolveu decidir impor uma solução militar ao braço-de-ferro com a Ucrânia e com o Ocidente.

Quando se fala na “guerra não provocada” que a Rússia lançou, reflita-se no seguinte: o que fariam os Estados Unidos se a China financiasse e organizasse um golpe de estado no México, que guindasse ao poder extremistas antiamericanos reivindicando a devolução do Texas e da Califórnia e a quem a China fornecesse treino e equipamento militar, estando em vias de estabelecer uma aliança militar?

2 comentários:

  1. Tanto bullshit. A Rússia além de ter invadido a Crimeia, andou a financiar e a fornecer armas e tropas às milícias que andou a criar (alguns nazis, como o líder Pabel Gurabev)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Devias experimentar ler as coisas que comentas e comentar as coisas que lês.

      Fazias menos figuras

      Eliminar