1) Uma guerra não provocada?
Esse tem sido um dos argumentos da propaganda de guerra: a Rússia cometeu
uma invasão não provocada e injustificada. Apesar dos vários intervenientes
ucranianos e ocidentais terem já abertamente declarado
que sempre procuraram resolver pela via militar o separatismo no Donbass e a secessão
da Crimeia, a propaganda continua a martelar sobre este ponto porque é imperioso
manter a opinião pública na ilusão de que há um só poder imperialista a
disputar a Ucrânia – e não dois…
O Estado Russo sentia-se crescentemente ameaçado pela modernização e reforço militar da Ucrânia e os seus laços com a NATO. Não podia perder a face no Donbass, isto é, permitir a supressão da rebelião do Donbass por Kiev e, muito menos, a perda da Crimeia. Se tal acontecesse, Putin e a sua entourage seriam apeados do poder - E a administração americana tinha disto consciência...
Finalmente, para além de razões de prestígio ou valores “estratégicos”, também existiam (e existem!) importantes interesses económicos da burguesia russa na Ucrânia. Enfim, a adesão da Ucrânia à NATO, poderia significar a instalação de bases com mísseis nucleares capazes de atingir Moscovo em menos de 5 minutos – e que o governo de Kiev seguramente aceitaria, dada a sua animosidade contra a Rússia e as disputas territoriais entre ambos.
Como resposta, Moscovo enviou um pedido formal de negociações aos Estados Unidos exigindo por escrito o compromisso 1) da Ucrânia não entrar para a NATO 2) a NATO retirar as suas bases do Leste da Europa, nomeadamente para as fronteiras anteriores a 1997 3) reatar o acordo sobre mísseis de médio alcance que os Estados Unidos tinham abandonado 4) a implementação dos acordos de Minsk 5) o reconhecimento da Crimeia como parte integrante da Rússia.
Com exceção da questão da Crimeia nenhum dos demais pontos colocava, problemas de princípios ou desafios existenciais quer aos Estados Unidos, quer aos seus aliados europeus. Porém, as propostas russas foram liminarmente rejeitadas: nem sequer foram merecedoras de discussão. A 24 de Fevereiro o governo russo resolveu decidir impor uma solução militar ao braço-de-ferro com a Ucrânia e com o Ocidente.
Quando se fala na “guerra não provocada” que a Rússia lançou, reflita-se no seguinte: o que fariam os Estados Unidos se a China financiasse e organizasse um golpe de estado no México, que guindasse ao poder extremistas antiamericanos reivindicando a devolução do Texas e da Califórnia e a quem a China fornecesse treino e equipamento militar, estando em vias de estabelecer uma aliança militar?
Tanto bullshit. A Rússia além de ter invadido a Crimeia, andou a financiar e a fornecer armas e tropas às milícias que andou a criar (alguns nazis, como o líder Pabel Gurabev)
ResponderEliminarDevias experimentar ler as coisas que comentas e comentar as coisas que lês.
EliminarFazias menos figuras