quarta-feira, 22 de março de 2023

Sucata a caminho da Ucrânia

 De acordo com a Agência Reuters, a Eslováquia irá enviar a a Ucrânia a sua frota de 11 MIGs-29 que foram retirados de circulação e uso no Verão passado... Como se isso não fosse mau o suficiente: enviar para a Ucrânia aviões retirados de circulação... mais nos informa a Reuters que serão enviados os (quantos?) aviões que (ainda!) se encontram "operacionais" e os demais para partes sobresselentes. Paralelamente, o governo Eslovaco firmou um acordo de compra de militar americano no valor de 700 milhões de dólares. 

Sucata para a Ucrânia, encomendas para o complexo militar-industrial americano, tudo pago pelo contribuinte eslovaco. A Ucrânia é um esquema!

sábado, 18 de março de 2023

O significado do Mandado de Captura a Putin

Não vale a pena perder muito tempo com a hipocrisia dum Tribunal que emite um mandado de captura a Putin por crimes de guerra, mas não é capaz de fazê-lo a Bill Clinton, George W. Bush, Barak Obama ou Joe Biden. Imaginamos que o "respeitinho" seja muito bonito! 

Ainda no campo da hipocrisia, parece que o Pentágono bloqueia o envio de "evidências" sobre os crimes de guerra russos para o Tribunal de Haia, por não querer ele próprio vir a ter os seus militares julgados em análogas circunstâncias. Aliás! Ainda não há muito tempo atrás, os Estados Unidos ameaçaram os juízes do Tribunal Penal Internacional com prisões e sançõesl se estes decidissem avançar com investigações e julgamentos de soldados americanos por crimes de guerra no Afeganistão.

Parece-nos, pois, apresentado um Tribunal que não é reconhecido ou ratificado pelos Estados Unidos, pela Rússia, pela China ou pela Índia... Já agora, nem sequer a Ucrânia é signatária do Tratado de Roma que deu origem ao TPI...

CONTUDO, não podemos deixar de frisar o significado político deste "Mandado de Captura": 

O que o ocidente coletivo está a dizer à liderança russa é que não deseja qualquer solução diplomática para o conflito - não é possível fazer diplomacia com quem queremos julgar e condenar por crimes de guerra! 

Pior! Está a dizer à liderança russa que a guerra na Ucrânia é um combate de vida ou de morte: ou os líderes russos vencem a guerra ou acabam no calabouço o resto das suas vidas. Independentemente de como avaliamos a liderança russa, encostar à parede quem dispõe de 6000 bombas nucleares é uma política... no mínimo imprudente!  E para o povo ucraniano, um presente envenenado: lutar e morrer até às últimas consequências - sejam elas quais forem...

Significa isto que Putin não merece, não deve ou não pode ser julgado? Pelo contrário! Putin deve e terá de ser julgado pelo próprio povo russo por conta dos crimes cometidos na guerra da Ucrânia e pelos crimes de mais de 20 anos de governação "bonapartista" do país. Mas é aos trabalhadores russos que cabe o julgamento e sentença e não aos (igualmente) criminosos de guerra da NATO.

Uma última nota: o timing deste anúncio não é inocente. Foi feito em vésperas das conversações que Xi Jingpin terá com Zelesnky e Putin e tem como objetivo dinamitar os esforços da diplomacia chinesa. Apesar da ladainha segundo o qual cabe aos ucranianos decidirem os termos e tempos duma negociação de paz, a verdade é que ainda ontem os Estados Unidos fizeram saber novamente que se opõem às propostas de paz avançadas pela China.

sexta-feira, 17 de março de 2023

MIGas-29? mais uma açorda para ser servida... até a último ucraniano


Começa a ser extensa, demasiado extensa... a longa lista de "armas maravilha" que iriam mudar o sentido da guerra - ou "game changers" no jargão dos mass méRdia!

Estas "armas maravilha" já foram os javelins, os stingers, os drones bayaktar, os howiterz 777, os Himars, há 2 meses atrás eram os Leopard 2... e agora chegou a vez dos MIG-29!

Para quem não sabe, os MIG-29 são caças de fabrico soviético desenhados e concebidos nos anos 70 e que entraram em serviço há mais de 40 anos! E 40 anos depois...? "Game Changers"!

Eu ainda sou do tempo em que a Ucrânia tinha uma Força Aérea. É um facto: Esse tempo acabou na Primavera de 2022. Mas factos nunca perturbaram uma boa narrativa da propaganda de guerra. A Ucrânia já não tem Força Aérea (aviões, aeródromos, pistas, oficinas, peças, logística, pilotos, mecânicos, centros de comando)? A Ucrânia vai passar a ter 4 + 13 MIGs-29. 

4 são da Polónia e 13 da Eslováquia. Sobre o estado dos 4 caças da Polónia não nos vamos pronunciar à falta de dados. Sobre os 13 da Eslováquia... okay... estão em tão bom estado, mas mesmo em tão estado... que foram descomissionados em 2022. Descomissionados pela Eslováquia: um país ainda mais miserável que aquele outro que tem navios de patrulha a meter água na casa das máquinas...

MIGas-29? Mais uma açorda para espetar com os jovens (e menos jovens...) ucranianos num almofariz e esmigalhar tudo até dar o tempero certo para a sopa a ser servida... até ao último ucraniano!

20, 40, 60,100 caças - sejam MIGs ou F-16 - não vão mudar o destino da guerra, apenas vão prolongá-la para que os russos continuem a ser sangrados, ainda que seja à custa da destruição da Ucrânia e do seu povo. É chato? Para o complexo industrial militar americano e para o setor energético que estão a lucrar biliões... nem por isso!

quarta-feira, 15 de março de 2023

Más notícias para Zelensky!


Donald Trump e Ron DeSantis (governador da Flórida), os 2 principais candidatos à nomeação republicana, em vista às eleições presidenciais de 2024, já avisaram que, casos sejam eleitos, a boa vida irá acabar para zelensky.

Respondendo a um inquérito realizado por Tucker Carlson aos candidatos republicanos à nomeação, Trump respondeu que  "a morte e a destruição têm de acabar  agora", enquanto DeSantis afirmou que "não podemos priorizar a intervenção numa guerra estrangeira em escalada sobre a defesa do nosso próprio país."

Parece evidente que:

 1) O futuro candidato presidencial republicano irá  fechar a torneira dos biliões despejados sobre um dos Estados mais corruptos do mundo (até para os standards da FIFA...) e defenderá uma solução diplomática para o conflito.

2) Um crescente número de eleitores republicanos irá crescentemente opor-se à continuação da guerra e do envolvimento americano.

3) Será paulatinamente mais difícil  fazer aprovar no Congresso os pacotes de "ajuda" militar à Ucrânia no valor de biliões.

4) A guerra na Ucrânia irá ser um cada vez maior espinho no dorso dos Democratas, à medida que a crise económica se for agravando - 3 Bancos entraram em insolvência nós últimos dias.

5) Como ainda ontem ficou demonstrado através do incidente entre o drone americano e o caça russo, à medida que a guerra se arraste, maior será o perigo dum envolvimento direto entre os Estados Unidos e a Rússia  - algo que a própria clique oligárquica americana irá querer evitar a todo o custo.

5) No limite, Joe Biden terá de ter esta guerra "ganha" (seja lá o que puder apresentar como "vitória") antes do final deste ano,  isto é, até ao início da campanha para as nomeações.



Deixamos, por fim, o vídeo do programa do Tucker Carlson onde se explanam as ideias dos candidatos republicanos para a guerra da Ucrânia.




 

terça-feira, 14 de março de 2023

Ucrânia excluida do FIFA 2030


 Estas m€rd@s não se inventam:

A Ucrânia foi EXCLUÍDA da organização do Mundial 2030. A candidatura de Portugal e Espanha prefere associar-se... a Marrocos!

A decisão resulta  não apenas do temor que, devido à guerra, o país mão consiga estar a par das obrigações e standards da FiFa em... 2030! Mas resulta sobretudo do estado de corrupção endémica em que vive mergulhada a federação ucraniana de futebol, cujo presidente está a ser alvo de diversas investigações...

... é de facto extraordinário que o grau de corrupção na Ucrânia seja tal... que até melindres cause... à FIFA!

🤪😜😀😂🤣😅

E assim, por comparação com a realidade ucraniana, até Marrocos passa por país impoluto e respeitador dos direitos humanos... 

Há m€rd@s que não se inventam.

Slava Zucchine

Washington Post revela (alguma) verdade...

 Começa a ser difícil esconder a situação calamitosa em que se encontra a a Ucrânia. 

O Washington Post publicou ontem uma peça demolidora. Basicamente informa os seus leitores que a Ucrânia tem carências de material e guerra, munições, tropas treinadas e experimentadas em combate. A Ucrânia tem carências de tudo, mas o governo Zelensky continua a sacrificar o seu povo a mando dos seus patronos ocidentais...

A peça pode ser lida AQUI

Com o seu humor inconfundível, Garland Nixon dá-nos o quadro preciso.



segunda-feira, 13 de março de 2023

Carne para canhão


Mais um excelente vídeo do canal HistoryLegends sobre a batalha de Bakhmut.

É particularmente chocante como Zelensky e o Estado-maior do exército ucraniano continuam a usar os seus soldados (muitos sem a mínima preparação...) como carne para canhão...


quinta-feira, 9 de março de 2023

Georgia: maidan 2.0 ?

Na Georgia surgiram protestos por causa da aprovação duma lei que visava identificar ONGs que recebessem mais de 20% do seu financiamento do exterior como "agentes estrangeiros".

Apesar da primeira destas leis (ainda em vigor!) ter sido CRIADA nos Estados Unidos, toda a imprensa falou em coro numa "lei russa"... 

Psyop? (era uma pergunta retórica)

Se dúvidas houvesse sobre mais um episódio de ingerência americana, bastaria consultar as contas twitter da Ana Gomes ou do Rui Tavares para quaisquer incertezas se desvanecerem.

Mandaria a lógica que se concluísse que determinar a divulgação pública de financiamentos estrangeiros de ONGs fosse um importante passo no caminho da transparência e da "democracia" - não pude evitar as aspas.

Mas plos vistos, não! "Espontaneamente" o povo georgiano (ou uma praça cheia) decidiu lutar pela opacidade de financiamentos externos aos seus agentes políticos e sociais...

Se não fosse sério, dava pra rir. 

Brian Berletic explica tudo

...  e muito melhor que eu!



segunda-feira, 6 de março de 2023

Propaganda prá veia...

 


De acordo com a propaganda de guerra, a Rússia é aquele país sem casas de banho, que combate mais de 30 países da NATO com recurso a pás e a microchips de máquinas de lavar...

Não humilhem o exército ucraniano!

Sabemos que a propaganda não se importa com os factos ou com a verdade, pelo contrário a sua missão é mentir, iludir, galvanizar.  Ainda assim... deveria haver algum tipo de pudor e não abusar da inteligência alheia, ainda que no caso dos fans do slava zucchine, a "inteligência alheia" esteja soterrada sob uma montanha de preconceitos, desinformação e ingorância histórica em estado puro...

Há contudo limites! Ou será que não? Vários Média, onde sobejam indivíduos que nem carta de condução deveriam ter, quanto mais a carteira de jornalistas, estão relatando o delírio segundo o qual em Bakhmut os soldados russos, à falta de munição, atacam as trincheiras e defesas ucranianas armados apenas com pistolas e pás. Sim: leram bem: pás!

Portanto,  o exército russo continua a avançar e a cercar Bakhmut, armado apenas de pás (e picaretas, não?) contra um exército treinado, armado, municiado, comandado e pago pela NATO e onde os países ocidentais já estoiraram cerca de 200 biliões de euros no espaço dum ano... 

Sinceramente (e ainda que muitos crédulos do slava zucchine engulam esta estória) acho a notícia humilhante... para o exército ucraniano (da NATO)! 

Se não respeitam quem "informam", tenham porém um mínimo de respeito por quem combate no exército da NATO que fala ucraniano!

sábado, 4 de março de 2023

Se a Ucrânia deixar de combater desaparece?

Não! Muitas outras nações foram militarmente derrotadas, aceitaram termos de paz desvantajosos, perderam até territórios e não desapareceram. A França em 1870 ou a Alemanha tanto em 1918 como em 1945 são disso exemplo.  Uma eventual derrota da Ucrânia amputaria dela alguns territórios, mas não ao seu desaparecimento. E apesar dos horrores e do rasto de morte e destruição que qualquer guerra provoca, não obstante os crimes de guerra (que todas as fações combatentes cometem em todas as guerras), não decorre um genocídio da população ucraniana. A hiperbolização das consequências duma derrota ucraniana são propaganda de guerra destinadas a manter as opiniões públicas e as classes trabalhadoras atreladas a uma guerra que visa, não ajudar a Ucrânia, mas sangrar a Rússia até ao último ucraniano.


Defendemos o direito à autodeterminação do povo da Ucrânia?

Sim! Defendemos o direito à autodeterminação de TODO o povo da Ucrânia: tanto as populações de Kiev e Lviv, como da Crimeia ou do Donbass têm o direito à sua autodeterminação. Infelizmente, uma das consequências da guerra resulta no exacerbar do nacionalismo – seja ucraniano ou russo. 

A Ucrânia nasceu como Estado pluriétnico em 1991. Mas uma vitória russa fará desaparecer o “elemento ucraniano” naquelas regiões que forem incorporadas. Contudo, não tenhamos ilusões: uma vitória ucraniana fará desaparecer o “elemento russo” quer no Donbass, quer na Crimeia – as recentes proibições e restrições de música, literatura e cultura russa não podem deixar dúvidas sobre isso. Ganhe quem ganhar, os êxodos populacionais, perseguições étnicas e cancelamentos culturais farão parte dos despojos da guerra. 

Para nós marxistas o direito à autodeterminação enquadra-se (e nem sequer se sobrepõe) no âmbito da luta de classes, da luta pela emancipação da classe trabalhadora. Defendemos a unidade dos trabalhadores por cima de quaisquer diferenças de língua, cultura ou nacionalidade. 

Não lutamos pela “grande Rússia” ou pela “glória à Ucrânia”, mas pela revolução socialista que expropriará os oligarcas dos dois lados da fronteira e derrubará as cliques que agitam o nacionalismo como um veneno que divide os trabalhadores para os melhor explorar e que os utiliza como carne para canhão das suas ambições nacionalistas e imperiais.


quinta-feira, 2 de março de 2023

Ucrânia: uma luta entre democracias e autocracias?

Não! Na Ucrânia, uma dúzia de partidos políticos foram banidos ou suspensos, opositores políticos presos, órgãos de imprensa encerrados, censura militar imposta, direitos sindicais restringidos, confissões religiosas perseguidas, direitos democráticos de minorias nacionais eliminados. Tudo isto por um dos Estados mais corruptos da Europa, se não do mundo!

Valores como “democracia”, “liberdade” ou “direitos humanos” são apenas pretextos agitados pela propaganda que visam disfarçar e ocultar os reais interesses envolvidos: os Estados Unidos e a NATO ingerem ou invadem países em função dos recursos que podem pilhar, das oportunidades de negócios, dos mercados e das zonas de influência que podem conquistar: do golpe de Estado de Pinochet no Chile em 1973, passando pela mentira das “armas de destruição maciça” que justificou a invasão do Iraque até à ocupação ilegal de parte da Síria em 2023.


quarta-feira, 1 de março de 2023

Slava Vodkaini!

 Imagino que seja mais fácil enviar soldados bêbados para o matadouro... 

A condenação da Invasão Russa, o "Direito Interncional" e a "inviolabilidade" das fronteiras...

 Condenamos a invasão?

Absolutamente! Porém não nos limitamos a condenar a invasão russa, condenamos também a ingerência e destabilização da Ucrânia pelo governo americano (e os seus aliados europeus) que conscientemente desejaram, prepararam e provocaram a confrontação com a Rússia.

A guerra na Ucrânia não é apenas uma guerra entre ucranianos e russos: é sobretudo uma guerra por procuração em que os ucranianos são a carne para canhão usada pelo Ocidente/NATO na disputa com a Rússia pelo controlo dos recursos, mercados e despojos da própria Ucrânia; pela afirmação mundial!

Sem o apoio da NATO e do Ocidente, o exército ucraniano colapsaria em dias. É o Ocidente que treina, fornece, municia, arma, providencia dados de inteligência, dirige e até paga os salários aos soldados ucranianos. Há, atualmente na Ucrânia, um combate entre o exército russo e um exército da NATO que fala ucraniano

Temos de defender o Direito Internacional?

Não! O chamado “Direito Internacional” é uma burla: um estratagema que os poderes imperialistas usam para iludir as opiniões públicas e justificarem todas a violações que cometem ao “Direito Internacional” ao mesmo tempo que invocam a sua defesa! Aliás! A ONU nunca foi capaz de solucionar nenhum conflito militar e, inclusivamente, chegou a participar numas quantas guerras.

As fronteiras são invioláveis?

Só quando calha e dá jeito. Como exemplos recentes temos que as fronteiras da Sérvia não foram “invioláveis”: a NATO bombardeou o país durante meses, ocupou a região do Kosovo e em seguida promoveu a sua declaração de independência. Israel ocupa a Palestina e os montes Golã da Síria. Marrocos anexou o Sahara Ocidental. Os checos separaram-se dos eslovacos, o Sudão do Sul abandonou o resto do Sudão e a Eritreia tornou-se independente da Etiópia. As antigas URSS e Jugoslávia foram desmembradas em duas dúzias de novas nações.

As fronteiras não são imutáveis, são construções da luta de classes e das correlações de força no devir histórico. Odessa nunca fora ucraniana até 1919, Lviv nunca fizera parte da Ucrânia (da Rússia, ou da URSS) até 1939 e a Crimeia nunca fora ucraniana até 1954. Não deixa de ser irónico como tanta gente profundamente anticomunista está disposta a lutar até à morte (ou, pelo menos, até à morte dos ucranianos) pelas fronteiras estabelecidas por Lenin, Estaline Kruschev…

A missão dos comunistas não é a de defender as fronteiras do Estado-nação da burguesia, mas de abolir as fronteiras que, a par da propriedade privada, constituem os grandes óbices ao desenvolvimento harmonioso das forças produtivas.